Inove com a segunda sem carne.

Um Dia sem Carne faz Diferença!


Pra mim todo dia é segunda sem carne.
Vegetariana desde a infância, a carne nunca foi um atrativo ao meu paladar, para loucura geral das minhas cricas tias que insistiam em dizer que eu precisava daquilo. Já mamãe, nunca foi tão radical mas tentava me enganar colocando carne moída na sopa na esperança que eu não percebesse… e nessa brincadeira pratos de sopas voaram.
Ah, teve também a tentativa da carne torrada, estilo carvão. Essa estratégia deu certo por um tempo, mas depois… Nem torrada, nem disfarçada, nem mediante ameças. Não teve jeito. Meu organismo disse não, meu paladar disse nao, minha consciência disse não, eu disse não a carne.

E não me venha falar em peixe. Vegetarianos não comem carne de espécie alguma, não temos dó do alface, nem do brócolis, e se vc não sabe a diferença de um legume para um vaca, eu me recuso a discutir com vc. (vide artigo piadas de vegetarianos)

Comemos muito bem, todo o resto diga-se de passagem. Apenas tiramos a parte carnívora da alimentação, o que nos faz muito bem.
Ao longo dos meus 30 anos (com muito orgulho!) nunca tive nem sombra de anemia, nem de nenhuma deficiência física por conta dessa total ausência de carne.

Por isso eu acho irada essa campanha, porque motiva as pessoas não a adotarem o vegetarianismo radical,  da noite pro dia, e sim a experimentar uma nova visão de alimentação, novos sabores, um novo jeito de encarar a sua própria vida.

Inove!
Por você.

A campanha é uma iniciativa da Sociedade Vegetariana Brasileira – e em São Paulo conta com a parceria da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Slow Food, Instituto Nina Rosa, Revista dos Vegetarianos, Greenpeace, ANDA entre outros.

Mais informações no blog da Segunda sem carne

Como vacas viram bife.

Não é difícil imaginar por que a indústria da carne não deixa nem o mais entusiasta dos carnívoros chegar perto de seus matadouros. Até mesmo nos matadouros onde o gado morre rapidamente, é dificil imaginar um dia sem que vários animais (dezenas, centenas?) sejam mortos de maneira horripilante.

Num matadouro típico, o gado é conduzido por uma rampa até um receptáculo cilíndrico por onde sua cabeça vai se encaixar. O funcionário encarregado de abater, ou chamado “batedor”, atira com uma pistola pneumática entre os olhos da vaca. Um parafuso de aço penetra o crânio do animal normalmente levando-o à inconsciência ou à morte. Às vezes o tiro só atordoa o animal, que permanece consciente ou mais tarde acorda enquanto está sendo “processado”.

Vamos ao que interessa aqui: os animais são sangrados, pelados e esquartejados enquanto conscientes. Isso acontece o tempo todo. A combinação velocidade de linha de produção, que aumentou 800% nos últimos 100 anos, e o pouco treinamento dos funcionários, que trabalham sob péssimas condições, é garantia de erros. Em 12 segundos ou menos, a vaca que recebeu o tiro de pistola vai para o final da rampa e chega até o próximo funcionário, que vai amarrar uma corrente em volta das pernas traseiras e assim levantar o animal, deixando-o pendurado.

Ele é agora mecanicamente transportado até o próximo funcionário, que corta as artérias da carótida e a veia jugular no pescoço da vaca. Ela é transportada novamente até a linha de sangramento, onde seu sangue será drenado por vários minutos. Cortar o fluxo de sangue que irriga o cérebro do animal vai matá-lo, mas não instantaneamente. Se a incisão for feita de forma errada, isso pode restringir o fluxo de sangue, prolongando ainda mais o estado consciente do animal.

“Eles piscam os olhos e esticam o pescoço de um lado pro outro, desesperados”, explicou um funcionário.

A vaca então é transportada pela linha até o “pelador de cabeças” – a parada onde a pele da cabeça do animal é arrancada. A porcentagem de gado ainda consciente nesse estágio é baixa, mas não é zero. Um dos funcionários acostumados com esse procedimento explicou: “Muitas vezes o “pelador” percebe que o animal ainda está consciente e começa a chutar enlouquecidamente. Se isso acontece, o pelador enfia uma faca na parte de trás da cabeça do bicho pra cortar a espinha”.

Essa prática, descobriu-se, imobiliza o animal, mas não o torna insensível. Não dá pra saber quantos animais passam por isso porque ninguém tem permissão de investigar isso a fundo. Depois do pelador-de-cabeças, a carcaça (a vaca) passa pelos encarregados das pernas, que são os funcionários que cortam as partes inferiores das pernas do animal. “Há os animais que voltam à vida nessa parte do processo”, disse um dos funcionários, “parece até que eles vão subir pelas paredes. E um funcionário não vai querer esperar até que chegue alguém lá pra tentar matá-los, então ele simplesmente corta a ponta das pernas com um tesourão.

Quando se faz isso, o gado fica maluco, chutando pra todos os lados”. O animal então é completamente pelado, eviscerado e cortado ao meio, e a essas alturas ele finalmente já está parecido com o bife – aquele que a gente vê pendurado na geladeiras e freezers, assustadoramente imóvel.

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*O original do texto acima é de Jonathan Safran Foer (autor do best seller “Eating Animals”) para o periódico britânico The Guardian. O título, em inglês, é How cows become beef. O livro deve ser lançado no Brasil pela editora Rocco ainda este ano.

5 Piadas que nunca se deve fazer a um vegetariano.

1. Alface, saladinha, alface, comida de passarinho, alface…

Fazer piada com esses itens é pedir para perder o respeito de um vegetariano. Primeiro que obviamente vegetarianos não comem só alface – afinal arroz, feijão, macarrão, batata, pizza, risoto, bruschettas, assados, petit gateau, entre outros milhões de pratos, dos mais simples aos mais elaborados, são feitos de vegetais. Falar que vai ter “alface no espeto” em um churrasco também não tem graça nenhuma! Sério, não tem graça nenhuma. Eu sei que você acha que está sendo super original, mas vamos lá de novo: a alface no espeto realmente já é bem batida =P

Segundo que as pessoas mais saudáveis que conheço (que são vegetarianas “hard core” e comem só coisas saudáveis, orgânicas e na maioria das vezes cruas) comem pratos muito mais bacanas e elaborados do que os “carnívoros” imaginam. Pois é, eu sei que é inevitável imaginar um vegetariano comendo um prato de alface com tomate e cebola de almoço, mas só porque é somente isso que oferecem a ele em um churrasco não quer dizer que é isso que ele realmente come no dia a dia.

Quanto ao comentário de comida de passarinho – a resposta a isso veio de uma conhecida nutricionista e vegetariana e não canso de repetir: “passarinhos não morrem de colesterol e câncer, então é a comida deles que eu quero comer mesmo!” Essa nutricionista é super saudável e investe em uma dieta crudívora que tem como base as sementes – comida de passarinho.

2. Você não tem pena da Alface?

Falar isso a um vegetariano é assinar um atestado dizendo que você não sabe a diferença entre um boi e uma alface. E se você realmente não sabe meu amigo… desisto de qualquer argumento!

E sinceramente: nunca vou entender a obsessão dos não-vegetarianos com a tal da alface.

3. Se você estivesse no meio do deserto e só tivesse uma vaca, o que você faria?

Mais uma piadinha que todo mundo faz se achando super original. Sei que não deveria responder sério, mas vamos lá: o vegetariano, perdido no meio do deserto e com fome, faria a mesma coisa que qualquer outra pessoa: lutaria para a sobrevivência da forma que fosse possível.

É claro que vacas – e provavelmente o vegetariano com quem você está conversando – não ficam perdidas no deserto e por isso qualquer resposta à essa pergunta é tão inútil quanto a própria.

Essa pergunta-piada é clássica daqueles que querem arrancar do vegetariano que ele comeria carne se precisasse, como se isso fosse algo que negativasse qualquer motivo sério que faz ele não comer carne na vida real.

4. Seu comedor de soja!

Anos atrás a soja era conhecida como “comida de vegetariano” pois milhões de “substitutos de carne” eram feitos dela. Porém hoje todo mundo já aprendeu que soja faz muito mal na maioria das suas formas (principalmente a tal de “Carne de Soja”, ou “Proteína Vegetal Texturizada”). Dificilmente você vai encontrar vegetarianos comendo soja ou leite de soja como substitutos da carne, pois é sabido que somente as formas fermentadas (shoyu e misso, por exemplo) desse vegetal não são tóxicas. E se você “também adora soja” saiba que isso não é exatamente algo bom. A soja só deixa de ser tóxica e de difícil digestão nas formas usadas lá pelos orientais mesmo: fer-men-ta-da. Se quiser saber mais sobre isso pesquise sobre os inibidores de tripsinaencontrados na semente.

5. Vocês sentem saudades da carne né? Aposto que comem carne escondido!
ou
Vocês sentem saudades da carne né? Por isso que comem hamburguer vegetal, strogonoff vegetal…

Não, os vegetarianos não “sentem saudades da carne”. Quando alguém para de comer carne, seja qual for o motivo, não é necessário comer escondido porque simplesmente ele deixa de gostar do ingrediente. Eu não gosto de alface, falo com todas as letras que não como alface e não faz sentido eu comer alface escondido.

Quanto à fazer versões de receitas com carne usando vegetais: a maioria faz isso simplesmente porque não quer deixar de experimentar diversos sabores e combinações de temperos e ingredientes só porque no meio da receita tem um pedaço de carne. Por que jogar fora livros de receitas inteiros, com sabores e combinações das mais diversas, só porque não gostamos de um ingrediente? É só substituir.

E fica também uma dica final para os vegetarianos de plantão: não seja como eu enchendo a paciência dos piadistas como fiz neste post. Ria e mude de assunto para garantir menos dor de cabeça 😉