Discutir a relação é coisa de mulher. Se você concordou com essa afirmação é porque ainda não ouviu falar de Sócrates, o filósofo. O cara desafiou nossa versões subjetivas atrás de resposta para tudo. “O que é justiça?” Reconhece? Pois é. Então ele praticamente inventou a DR. Baita gol contra.
Com essse legado grego, agora cada palavra torta ou jogo de vôlei feminino na TV ja merece embate conjugal. Intima-se o parceiro a depor. É conversando que a gente se entende, não? Na teoria. talvez se nossa sensatez não fosse tão relativa diante do problema.
Elas só querem desabafar, xingar e tremer o queixo. Eles, provar que estão certos, a sagacidade dos argumentos no gatilho. resultado? Volta ao redor da cama em 80 minutos – e onde bem poderia ser o palco de interações mais gostosas. Para onde vamos? Sim, para a cama. Não é puxar a brasa para o lado testoterônico, mas sexo é, sim, transmissão, sintonia. Lero-lero, nem sempre. Conhece-te a ti mesmo, ao outro, lavem louça juntos, troquem olhares, dancem colados, ofereçam cafuné e, o maior sacrifício de todos, transem muito. Transem almas, encaixem-se.
A comunicação muda é o verdadeiro astrolábio (instrumento astronômico para medir a distância dos astros) da relação. Discutir é apontar o dedo, chantagear, isentar-se, insinuar débitos. O próprio Sócrates tentou desconversar – “Só sei que nada sei”. Enfim, o silêncio é sempre cúmplice do que não precisa ser dito.
(Gabito Nunes – autor do livro “A manhã seguinte sempre chega”)